ECOS DE PRAGA V – Trilha Ancestral

Depois de um longo período sem novidades, umas férias forçada, mas muito bem merecida. A Iniviativa RAQ anuncia o mais novo conto rebelião do Universo Germinante, escrito por Simões Lopes.

Conto Rebelião 100: Trilha Ancestral

E aguardem que está para vir mais novidades pela Iniciativa RAQ.

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A Saga Ecos de Praga continua…

Mais um conto Rebelião inspirado na ambientação que nós, meros mortais joguetes nas mãos dos imortais, criamos: A Cidade de Praga.

Simões Lopes nos brinda com mais uma novidade. Um novo Manifesto.

Confiram.

 

Conto Rebelião 98: Cinza e Azul

 

 

Novo Conto da série Ecos de Praga

Pessoal, mas um conto da série está no site do Universo Germinante. O Simões Lopes nos brindando com mais uma história cheia de detalhes sobre o universo RAQ, e desta vez são os Cavaleiros da Cruz Resplandecente.

Conto Rebelião 97: A Gema do Capricórnio

Confiram.

ECOS DE PRAGA

HPIM1475

catedral de São Vito Venceslau e Vojtek - Praga

 

Pessoal, o netbook já está tendo resultados positivos, e vindo dos criadores do cenário RAQ.

O Simões Lopes está escrevendo contos inspirados na ambientação da Cidade de Praga. Chama-se Ecos de Praga. E o primeiro já saiu, e tem o título Vitória ou Morte. Gostaria de colocá-lo aqui, mas isso é secundário. O link está aí… confiram. Muito legal.

http://universogerminante.blogspot.com

Conto: INVOCAÇÃO (Parte 1 de 2)

rebeliaoContoJá há muitos dias a tempestade se tornava cada vez mais causticante; o ar estava pesado, saturado de fluidos pestilenciais que dificultava a respiração. O zimbório celeste era de um negrume horripilante. A noite castigava, raios voejavam em todas as direções se chocando com os edifícios. Qual não foi o espanto quando o relógio já marcava próximo do meio-dia e a luz do sol não dava mostras de sua presença beatífica.

Pessoas andavam por todos os lados não entendendo o que estava ocorrendo. Apesar de amanhecer apenas no relógio a escuridão ainda era total. Não se ouvia o gorjear dos pássaros, somente a turba de transeuntes que ocupavam as ruas em discussões estéreis sobre o que estava acontecendo. Já no final do dia a tempestade diminuía consideravelmente, o tempo oferecia uma tranqüilidade momentânea.

Enquanto isso, do outro lado da cidade alguém caminhava por um beco escuro, poças de água eram espirradas a cada passo, e por onde passava a escuridão era ainda maior. Ratos deslizavam pelos cantos do beco passando por cima de mendigos que se protegiam do frio e da chuva que já cessara.

Um mendigo que acabava de acordar deu uma pequena espiada sobre seus trapos imundos. O que ele vê deixou-o estarrecido, todos os seus pelos se eriçaram,  fazendo com que seu coração parasse de bater, deixando o corpo inerte. A visão congelada em sua íris era de um ser envolto em nuvem negra a ponto de não ser possível ver nada além de seus pés.

No subúrbio um grupo de homens guardavam alguns símbolos místicos e saiam encapuzados por corredores secretos para a via pública, deixando  naquele ambiente um corpo mutilado por algum ritual maléfico.

Horas mais tarde em uma galeria nos subsolos, o mesmo grupo, se reunia a espera de alguém. A impaciência era visível pelo tempo que estavam ali. Era possível observar as tochas tremulando e as sombras dos presentes dando um ar mais terrível.  De forma irresistível, todos lançaram-se ao chão, gritando de forma lacinante, como que sentindo uma dor imensurável. Rolavam e debatiam-se estrepitosamente.

Apenas o que parecia ser o chefe permanecia de pé sem nenhum sintoma aparente. Olhando para a porta, onde estava parado a estranha figura, disse:

– Pare com isso, não foi por isso que eu te trouxe.

Nada se podia ver dela, a não ser uma escuridão que o envolvia.

Você terá que me obedecer. Disse o chefe tentando parecer firme.

A figura de escuridão, abriu a boca e dela saíram sons guturais, como que de trovões, gritos  lancinantes de dor ou coisa pior. Porém, uma frase foi inteligível, como expressando sua intenção.

Você me trouxe, mas eu tenho meus próprios propósitos, e um deles é o seu fim.

INVOCAÇÃO foi escrito por Marcel Herrero

Iniciativa RAQ

Conto: REBEKA

RAQ90_rebekaO suor escorria pela testa. Já havia algum tempo que Rebeka vinha resistindo contra o cansaço. Lutar com aqueles dois homens não estava sendo fácil. Fora pega em uma armadilha, uma ação ardilosa. Foi um vacilo, e ela sabia muito bem disso, mas era tarde. Agora tinha que resolver tudo sozinha.

Rebeka tenta de todas as maneiras quebrar a defesa dos dois, mas eles são ágeis, exímios lutadores. Só tinha uma maneira de vencer, ir com tudo que tinha.

Ela se concentra por um momento. Encontra dificuldade, a dor e o cansaço do combate não a deixa ter foco. Mas teria que tentar, era a única salvação. Uma energia mística começa a nascer de dentro de Rebeka, dominando-a por inteiro. Seus olhos se irradiam. De suas costas nasce um par de asas com penas brancas. Era como se elevasse naquele momento. Mas algo deu errado, o resultado não fora alcançado. Rebeka sente seu corpo ser rasgado, de dentro para fora. Uma dor intolerável toma conta dela, e ela perde os sentidos.

Ao abrir os olhos, vê diante de si uma grande criatura demoníaca. Tenta fugir, mas é atraída por uma força maior que ela. A criatura penetra em sua mente. Rebeka não tenta resistir, deixa-se invadir por aquela força sobrenatural.

Bem vinda minha pequena. A criatura sussurra em sua mente, mas Rebeka sente como que sendo violentada por aquela voz. – Finalmente você será nossa. É a melhor coisa a fazer. Nossas hostes estão se fortalecendo, o fim é certo. E o nosso lado será o vitorioso.

Ao terminar de falar, o demônio adentra mais na mente de Rebeka, transporta-a para um futuro próximo. E ela percebe isso, pois a cidade de Londres onde mora está totalmente destruída. O caos tomara conta de tudo e de todos. Anjos Celestiais empunhando espadas flamejantes lutam corpo-a-corpo com horrendos demônios sobre um mar de sangue e corpos. O fim que temera tinha chegado. E o que mais a assustava, estava lutando ao lado deles. Sim! Estava lado-a-lado daqueles que antes mais detestava, os Adoradores. Era membro das hostes infernais. Tinha se tornado uma escrava do inferno, um Diavolo.

Rebeka acorda assustada. Tinha mais uma vez tido aquele pesadelo. O mesmo.

Ela olha ao redor pelo quarto. Sente-se um pouco melhor, o susto diminuía. Estava em casa, “era só um sonho”, pensa.

Rebeka, está na hora de ir para a escola. Uma voz feminina ressoa atrás da porta.

Já vou mamãe. Ela responde, levantando e se arrumando.

Rebeka na mesa do café da manhã já não se lembrava mais do pesadelo, já estava entretida com outros pensamentos de sua própria idade. Ela tinha apenas 13 anos.

Rebeka foi escrito por Flauberth Carvalho

logo iniciativa RAQ10

Rebelião 1: Mestres e Aprendizes


O jovem aprendiz andava muito nervoso nas últimas semanas. Tantas descobertas o deixavam confuso. Ao ver seu velho mestre passeando pelo jardim, venceu com relutância a timidez habitual e aproximou-se do Mestre. Como se adivinhasse, o mestre lhe falou com largo sorriso nos lábios.

—Você parece transtornado, Isaiah.
— São muitas dúvidas, mestre… quantas coisas mais eu terei que decorar na primeira semana ?
— Você está aqui para saber e não decorar…
— Bem… quer dizer… é sobre a distinção de Asiah e Briah ? E o conceito…
O mestre o interrompe, gargalhando.
— Ora, jovem ! Vamos com calma ! Eu vou lhe explicar … preste muita atenção…
O sábio ancião de barbas brancas respirou profundamente e começou a explicar
— Olhe o mundo à sua volta. Esse é o Universo. Mas o que podemos ver e sentir é apenas uma pequena parcela do que existe. O Universo verdadeiro, ou total, nós chamamos de Atsiluth. O que você vê é o chamado de Plano Físico ou Mundo Material. Ou continuum espaço-temporal, como os cientistas chamariam. Mas nós cabalistas preferimos chamá-lo de Asiah. Você o sente porque o seu corpo faz parte do Asiah.
— Meu corpo ?
— Sim, nós o chamamos de Nefesh. Mas isso não é apenas o corpo físico, pois o Nefesh também inclui o corpo astral. Mas do mesmo modo que os seres humanos não são apenas o corpo, o Universo não é apenas o Plano Físico. Além do Asiah, em outro plano de vibração existe o Yetsirah…
— Isto eu já entendi: o Yetsirah é o Plano Anímico, que é sede dos Elementais.
— Muito bem, jovem. Mas o Yetsirah também é o Plano a que pertence a Alma, que nós cabalistas chamamos de Ruach.
— Ruach… e Briah ?
— Bem, além desses Planos existe um mais elevado, Briah. Poderíamos chamá-lo de Plano Angélico ou Espiritual. O Espírito ou Neshamah situa-se nesse plano. Eu sei, você deve estar pensando por que tantos nomes complicados. Isso é a Cabala, Boaz !
— E além de Briah, mestre ?
— Calma, Boaz, vamos com muita calma. Em Briah existem três regiões bem distintas. Uma, Shamaim, são os Céus, o Lar dos Anjos do Senhor. Outra, Sheol, o Inferno, a sombria morada dos Anjos Caídos.
— Os Caídos ?
— Sim, jovem, os Caídos. Mas deixe-me terminar. Há uma terceira região, o Dedangim, onde as Grandes Feras estão cativas. Além deles existe o Aravoth, que os cristãos chamam Empyreus, ou Décimo Céu. É lá que está o Deus Altíssimo, assistido pelo Príncipe Arcanjo Mitatrom. Mesmos os outros Príncipes Arcanjos só podem ir a Aravoth raramente. Como você pode ver, Boaz, A Criação é realmente muito mais do que podemos perceber. Satisfeito ?
— Sim, mestre, quer dizer … quase !
O incrível interesse do jovem não parava de empolgar o professor. Realmente era um aluno muito promissor.
— Quase ? O que mais deseja saber ? Pode perguntar ?
— Quem são os Nefilim ?
O mestre subitamente emudeceu. Seu semblante mudou drasticamente. Uma visível irritação e nervosismo tomaram conta do ancião.
— Por que essa pergunta ?
Tentando disfarçar o sobressalto, o mestre solta uma resposta curta e seca.
— Os Nefilim eram filhos dos Anjos Caídos de que já falei. Isso foi antes do Dilúvio. Mas eles não existem mais ! Não existem .

— Desculpe. Estou enchendo a sua paciência. Me desculpe.

— Não se preocupe, Boaz, eu não estou irritado. Apenas acho que você não deve se preocupar com assuntos sem importância. Cuide apenas do essencial…

E o professor se afastou, sumindo entre as árvores do jardim.

Boaz começou o caminho de volta a seu quarto, caminhando lentamente, arrastando os pés por entre os jardins. Então, por trás dos arbustos de flores vermelhas, uma voz o chamou.

— Você deseja saber sobre os Nefilim, garoto ?
— É…quem é você? De onde você surgiu ? O professor já me disse o que eu queria.
— Ah, seu mestre … Você realmente acha que o velho sabe tudo ?
— Quem é você?
— E se eu lhe dissesse que os Nefilim ainda existem ?
— Você acha que eu acreditaria em você ?
O desconhecido deixou escapar um largo sorriso de ironia. Fechou os olhos.
– Acho.
E o desconhecido abriu seus olhos, que se tornaram como dois archotes flamejantes.
— Preste atenção na minha estória…
Depois deste dia o jovem Boaz nunca mais foi visto. Seus antigos mestres jamais entenderão o porquê de sua desistência.

Conto Escrito por Simões Lopes [22 de novembro de 2007]
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